Este livro pretende relatar os amores de uma jovem estudante universitária, Raquel, vivendo em Portugal durante o início dos anos sessenta. Era um país pobre vivendo um longo período de Ditadura. As famílias tinham princípios morais e religiosos muito rígidos, que influenciavam sobretudo a vida das mulheres. Não havia liberdade de pensamento nem de ação desde que as regras definidas pelo governo não fossem escrupulosamente seguidas. Esta jovem teve um dia a possibilidade de ir dar um passeio por Espanha acompanhada de dois irmãos amigos da família. A Sara e o André ambos mais velhos que ela. Na viagem visitaram algumas das cidades mais emblemáticas do país vizinho. Maravilhada com tanta beleza e cultura a que não estava habituada andava encantada. Era muito bonita e sobretudo todos lhe admiravam uns olhos muito fora do vulgar. Como seria de esperar a beleza e uma vontade enorme de aprender coisas novas sobre uma cultura de que pouco conhecia encantaram André. Cada cidade era um novo mundo e Raquel com o seu modo solto e descontraído atraía a atenção de André fazendo com que entre os dois nascesse uma amizade muito especial que fazia ambos felizes. André, que vivia em Lisboa onde tinha acabado de sair de uma relação amorosa bastante tumultuosa e agitada que fazia com que se sentisse muito feliz com a leveza e espontaneidade de Raquel. A viagem acabou e ambos continuaram uma correspondência que os mantinha unidos e felizes. Um dia André recebeu um convite para regressar à universidade onde tinha tirado o curso em Paris e depois de muita ponderação ambos acharam que aquela oportunidade não seria de perder. Raquel, sentiu-se triste e bastante mais só porque a correspondência ia rareando. Um dia, André confessou-lhe que a amiga com quem tinha vivido foi ter com ele a Paris. Raquel estava a acabar o curso e voltou ao convívio dos colegas e amigos que tinha abandonado durante algum tempo. A sua vida foi decorrendo sem grandes alterações até que um dia, por um mero acaso, conheceu um colega brilhante, culto e muito habituado a viajar. Encontraram-se algumas vezes sem premeditar e cada vez que se viam apercebiam-se de muitas caraterísticas que faziam com que se sentissem unidos por gostos comuns. Ao fim de quase um ano sentiam-se cada vez mais atraídos e depois de um longo beijo olhando a beleza do rio Douro e aquelas duas pontes de ferro que tanto apreciavam, concluíram que o que sentiam era muito mais que uma simples amizade de colegas. Era nitidamente um amor que começava a nascer e merecia ser vivido com a intensidade que a sua juventude lhes proporcionava.