Afastando-me da interpretação corrente (eminentemente fenomenológica) e a partir do que denominarei tese não-standard, procurarei mostrar que, no texto dos “Prolegômenos”, Husserl funda e desenvolve o projeto lógico-ontológico de uma lógica pura ou analítica, “ambivalente”, simultaneamente preocupada 1) com o plano puramente inferencial, ou seja, com as condições mediante as quais sentido e verdade são preservados em uma cadeia de raciocínio ou teoria — como garantir que, de premissas verdadeiras, mediante inferências válidas, obtenha-mos uma conclusão verdadeira, fundada naquelas —, mas também 2) voltada ao problema da estruturação do plano referencial, na medida em que advoga que nossos juízos e proferimentos são sempre sobre algo, sobre coisas — mesmo quando são vazios de conteúdo, pois, neste caso, referem-se “esquematicamente” ou formalmente a uma multiplicidade ou domínio de objetos.