Nem todo narrador deveria existir. Nesta história, uma mulher arrancada da infância na favela e jogada em uma maternidade nascida da violência, vê o filho ser consumido pelo vício e pela morte, e para salva-lo, é capaz de tudo, até mesmo de travar uma guerra contra Deus. Atormentada pela tragédia, busca ajuda na internet atraindo a atenção de um observador improvável e determinado, que acaba contaminado pela observada. A testemunha, que deveria ser neutra, se vê afogando na dor que narra, desenvolvendo uma obsessão perigosa pela mãe, alimentando-se da angústia dela para existir, seguindo-a por cada beco escuro de sua história, reconstruindo-a a partir dos destroços. No entanto, essa simbiose tem um alto custo: para continuar narrando, ele precisa que ela continue sofrendo. No clímax do desespero, o grito da mãe racha a realidade, e uma força poderosa e aterrorizante responde à altura. Nascida de fúria e de uma fé quebrada, ela pode ser a resposta para as preces da mãe… ou a personificação de sua loucura. Realidade ou delírio? A resposta para essa pergunta tem um nome: Miguel.