Vivemos na era do “tudo bem”. Do sorriso automático, da felicidade obrigatória e da performance constante. Em um mundo que exige entusiasmo permanente, quem ousa admitir cansaço, dúvida ou fragilidade parece fora do jogo. Mas… e se essa positividade toda não for cura, e sim parte da doença? Em Positividade e Má-Fé , Daniel Guedes propõe uma leitura crítica e profundamente atual da cultura contemporânea, mostrando como o imperativo de estar sempre bem se transformou em uma nova forma de violência. Inspirado por pensadores como Jean-Paul Sartre, Byung-Chul Han, Zygmunt Bauman e Michel Foucault, o autor investiga como a sociedade do desempenho nos empurra para a autoexploração, para a exposição constante e para a mentira cotidiana que contamos a nós mesmos para continuar funcionando. Ao longo do livro, o leitor percorre temas como a normalização do “tudo bem”, a violência da positividade, a má-fé como fuga da liberdade, as identidades líquidas, a normose, o mercado da felicidade, o trabalho como palco de ficção e o esvaziamento do eu na era das redes sociais. O diagnóstico é claro: transformamos a vida em vitrine, o sofrimento em falha pessoal e a existência em um projeto de marketing de si. Mas este não é apenas um livro de crítica. Na parte final, Positividade e Má-Fé aponta caminhos de reconstrução: o resgate do cuidado de si, a recuperação da verdade interior, a ética do limite e a criação de comunidades baseadas em coragem e vulnerabilidade, e não em performance. Em vez de prometer fórmulas de felicidade, o livro convida a algo mais raro e necessário: uma vida com sentido, capaz de acolher a complexidade, a imperfeição e o inacabado. Este é um livro para quem sente que o discurso do “seja positivo” já não responde às angústias do nosso tempo. Para quem desconfia do otimismo fácil, do sucesso exibido e da motivação vazia. Para quem busca uma filosofia viva, conectada aos dilemas do trabalho, das relações e da vida digital. Para quem quer existir com mais verdade em um mundo que exige máscaras. Positividade e Má-Fé não é um manual de autoajuda. É um ensaio filosófico sobre o nosso cansaço coletivo. Um convite à lucidez. E um manifesto pelo direito humano de não estar bem .