A atividade policial em Operações Especiais é considerada de alta complexidade. Exige conhecimento, habilidades específicas e preparo físico e psicológico que permitam perceber situações ambíguas em cenários voláteis, analisar as circunstâncias incertas que envolvam todos os atores, elencar as alternativas para intervir, projetar cada alternativa avaliando suas consequências, escolher a mais conveniente ou a de menor risco, estabelecer o momento mais oportuno e, finalmente, agir com bom senso e equilíbrio, comedindo a força para que esta seja proporcional à resistência encontrada, esperando que o determinado problema seja plenamente solucionado. Diante desta constatação, devemos imaginar a amplitude requerida pelos processos de seleção e de socialização dos conhecimentos, e as técnicas de desenvolvimento de habilidades psicomotoras e emocionais necessárias para lidar com situações que, normalmente, causariam aversão, temor ou paralisia decisória na maioria das pessoas. Esta foi a motivação para a pesquisa que fundamentou este livro, e que foi apresentada na dissertação de mestrado do Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal Fluminense. A pesquisa buscou entender a cultura organizacional do BOPE /PMERJ, amparando-se na metodologia científica e teorias antropológicas. Para isso, tomou-se como objeto de estudo o processo de seleção, treinamento e iniciação dos chamados “caveiras”, confrontando o saber teórico com o fazer prático. Pela descrição e análise das representações sociais, performances, símbolos e métodos de socialização do conhecimento, identificados nos processos construção social, descortinou-se a perspectiva para a compreensão dos traços da identidade e cultura que caracterizam e distinguem o BOPE, de forma significativa, das demais unidades policiais, como uma tropa de elite, equipe de alta performance ou de alto desempenho.